Intersemiótica

Semana passada estava conversando com uma amiga sobre como as pessoas têm usado a internet. Comentamos que, atualmente, um dos nossos motivos de acesso é a informação. Aprofundar o conhecimento, descobrir coisas novas.

Acredito que uma grande ferramenta que ajuda a “descobrir coisas novas” é o Twitter. Durante todo o dia é uma tempestade de informações sobre tudo o que acontece no mundo e assim nos deparamos com eventos, cursos, teorias, links, dicas, que nunca sonhamos que podiam existir.

Foi mais ou menos assim que conheci iniciativas como o Papos na Rede e o #TalkShow. Eventos on-line em que a troca de conhecimento é o principal objetivo.

Então… Semana passada o #TalkShow foi sobre uma tal de Intersemiótica com o pesquisador Ernesto Diniz, doutorando em Literatura e Cultura (Tradução Intersemiótica) pela UFBA.

 

 

 

Veio logo na cabeça a Semiótica, temida por quase todos os estudantes de comunicação. Mas mesmo assim, li o post e me surpreendi.

Envolve Semiótica. Mas também envolve literatura, fotografia, cinema. Olha… Começou a ficar lindo. =)

Você vive diariamente com a Intersemiótica quando vai ao cinema ver um filme que foi produzido a partir de um livro.

Então, Intersemiótica é uma adaptação? Não!

Vamos organizar os conceitos, afinal, estamos aqui para aprender.

Ernesto Diniz falou durante o #TalkShow que:

Tradução Intersemiótica é um texto que passa de uma mídia para outra; uma história transportada de um meio para outro meio ou outros meios.

E para deixar mais bonita a coisa e usando palavras semióticas: Intersemiótica, ou transmutação, que é a interpretação de signos textuais por outros signos não-verbais.

Não é adaptação, mas sim tradução.

E assim, SEMPRE, haverá perdas e ganhos. Vamos parar de reclamar que o filme não foi fiel ao livro, ou coisas do tipo. Diniz foi bem enfático quando disse isso.

Se haverá uma produção para o cinema com base em determinado livro, o editor e os roteiristas vão ter que modificar algumas coisas para que a história seja traduzida para o novo meio utilizando as ferramentas disponíveis naquele meio (imagens, áudio), além de, decidirem qual personagem ou parte da história entra e qual sai.

“Adiciona-se também outros elementos que enriqueçam a narrativa no novo meio escolhido.”

 


 

Para Diniz a tradução Intersemiótica também pode ser vista como uma estratégia de Marketing, por se tratar de novos métodos de se consumir a Literatura:

“Relança o livro e estréia o filme; estréia o filme e gera curiosidade nas pessoas: de onde surgiu isso?”

No #TalkShow, o pesquisador, também, comentou sobre a estratégia da Marvel em lançar filmes dos grandes heróis dos quadrinhos:

“Houve baixa na venda de quadrinhos, investiram em um novo meio para reativar o interesse nos quadrinhos.”

A Intersemiótica, também, levanta algumas questões como: o livro é melhor do que o filme, o filme é melhor do que o livro?

Diniz comentou sobre a questão: Não é ser melhor que o outro, mas sim melhor traduzido. Tudo é traduzível e tudo é intraduzível. A tradução não precisa ser igual ao que veio antes.

Não acompanhei o #TalkShow ao vivo, ouvi a gravação depois. Mas deixei uma pergunta no dia, após a leitura rápida das referências que sugeriram no post.

 

 

- Um bom exemplo brasileiro de tradução Intersemiótica seria o livro Dom Casmurro que deu origem a série global Capitu e o filme Dom? (perguntei, pois sou apaixonada pela história).

Diniz respondeu a pergunta (\o/) comentando que é sim, um grande exemplo. E falou também da série global Som e Fúria.

Então, amigos, estamos convivendo com a Intersemiótica, e vivemos diariamente, também, com a Semiótica. Podemos não amar a teoria, mas somos apaixonados pela prática. Afinal, quantas vezes já lemos livros movidos pela curiosidade para saber de onde surgiu um filme (como comentou Diniz e como acontece atualmente com várias pessoas com a Saga Crepúsculo, O poderoso Chefão, Querido John, Alice no País das Maravilhas, seriados como The Vampire Diaries, True Blood, Pretty Little Liars, etc), ou já até lemos livros e pensamos: Poxa… Deveria virar um filme.

Fica a dica para o ouvir o #Talkshow (sobre Intersemiótica e todos os outros, sempre há bons convidados) e viajar um pouco mais no tema, acessando o site organizado pelo Ernesto Diniz, o InterSemiótica.

 

 

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Sobre Jeniffer Santos

Jornalista. Casada com as Mídias Sociais. Paquera o Marketing e a Cultura Digital. Amante da fotografia, literatura e seriados.
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7 respostas a Intersemiótica

  1. Laerte LopesNo Gravatar disse:

    Que legal Jeniffer! Gostei muito do post, finalmente aprendi o que significa Intersemiótica. Vivendo e aprendendo, antigamente eu tinha o custume de reclamar os filmes baseados em livros, depois pude perceber que é quese impossível fazer uma transição de mídia tão diferente (livro/filme) tin tin por tin tin. Gostei muito do post, parabéns!!!!

  2. Francine RamosNo Gravatar disse:

    Olha que legal: ontem na aula de Semiótica o meu professor comentou disso mesmo – de reclamarmos tanto que o filme não foi fiel ao livro e blá-blá-blá. O que acho chatinho na Semiótica são os nomes: gramemas, fonemas, e tantos outro nemas…rsrs Mas é uma matéria muito interessante, coloca a gente pra pensar mesmo! :)

    Adorei seu post.

    Beijos!

  3. Cello ReedNo Gravatar disse:

    Muito interessante. No momento perfeito; pois acabo de ler “Comer, Rezar, Amar” e ja ia me jogar na frente da Tv pra ver o filme – quando recebi a mensagem pelo cel e resolvi vir conferir.
    Eu ja fiz muito isso – comparar filme/livro… já deixei de ler um livro por não ter gostado do filme e vice-versa. Anseio por “A cabana” de William P. Young se torne um filme. Amei a roupagem e linguagem de Dom (o filme)… outro grande exemplo disso, creio eu apos essa explanação, é o livro Olga de Fernando Morais e o filme Olga – que traz Camila Morgado no papel principal – que pra mim é a maior e melhor produção cinematográfica brasileira.

    Viva a troca de conhecimentos \o/\o/\o/

  4. Noêmia ViannaNo Gravatar disse:

    Que maravilha! Confesso estar em êxtase! Quão é importante o conhecimento! Sou estudante apenas de Serviço Social e a matéria de arte e cultura me levou a pesquisar o tema em questão. Estou muito satisfeita. Parabéns Jennifer Santos e muito obrigada!

    Noêmia Vianna

  5. FernandaNo Gravatar disse:

    Muito Obrigada! Adorei seu post e me ajudou muito!

  6. Omar OliveiraNo Gravatar disse:

    Companheira, sem discursos acadêmicos quero dizer que você foi SUPIMPA!!!
    E acabou de me ajudar muito. Um grande abraço e muito obrigado.

  7. Elianara RaquelNo Gravatar disse:

    Poxa que legal essa sua “aula”. Consegui filtrar o que significa essa “estranha” palavra chamada intersemiótica. Obrigada.
    Forte abraço!

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